Aprendendo a ser e a sentir

O mundo atual apresenta muitos desafios. Dentre eles, a necessidade de reconfigurar  a educação, propiciando novas formas de conhecimento que vão muito além dos conteúdos escolares e que possibilitam o entendimento do ser humano nas suas várias dimensões. Isso significa despertar uma forma de traduzir a afetividade no momento de ensinar em possibilidades reais e científicas.

O desafio da educação está em traduzir a crença de que educar é uma tarefa apaixonante e que cada mestre tem o compromisso de educar com base em uma pedagogia mais ampla, que se preocupa com as questões cognitivas, mas que tem sua base no afeto, no amor.

É nesse contexto que surge a Pedagogia do Amor, propondo a transformação de práticas educativas voltadas para a cooperação e outros valores baseados no Amor. Na proposta da Pedagogia do Amor, as pessoas envolvidas com educação devem viver os valores de cooperação, solidariedade, paz, amor, etc. e não aprendê-los como se fossem conteúdos a serem memorizados.

Educar deve ser um meio de partilhar afeto, conhecimentos, sensibilidades, experiências, expectativas, saberes, valores, formas de sentir a vida. Assim como nos mostra Paulo Freire (1996) quando nos diz que sem amorosidade, respeito aos outros, tolerância, humildade, disponibilidade à mudança, gosto pela alegria, pela vida, abertura ao novo… não é possível uma prática pedagógica progressiva, visto que ela não se faz apenas de ciência e técnica.

Educar pelo amor significa estimular o pensamento crítico e a reflexão, quebrar paradigmas, aprender através dos encontros e das interações, amar a si mesmo e ao outro, e amar o mundo ao seu redor, vivendo com base nos valores de um mundo de paz.

Dalal El Achkar vivencia os valores da Pedagogia do Amor e constrói seu trabalho a partir da visão do ser humano inteiro, visto em sua totalidade, através das muitas dimensões do ser. Utilizando Jogos Cooperativos, Danças Circulares, Estórias, Respiração Consciente, Sons, Vivências e outros métodos, busca formar indivíduos mais solidários e afetivos, tornando-os agentes multiplicadores de valores baseados no Amor.

Nas imagens acima vemos exemplos de formas de educar que consideram o ser de forma integral. A educação se faz através do contato, da alegria, do amar e do sentir.

A escola já mostrou que consegue ensinar o homem a aprender, e aprender a fazer. É preciso agora que ela dê condições ao homem de aprender a ser, aprender a viver junto e aprender a sentir.

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Canção da criança

unknown_parameter_valueQuando uma mulher de certa tribo da África sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam até que aparece a “canção da criança”.
Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam a sua canção.
Logo, quando a criança começa a sua educação, o povo se junta e lhe cantam a sua canção.
Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.
Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.
Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, igual como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na “viagem”.
Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os índios cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então lhe cantam a sua canção.
A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém.
Teus amigos conhecem a “tua canção” e a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.
Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.
 
Tolba Phanem